sexta-feira, 24 de maio de 2013
Conceituando Gestão Democrática
O desenvolvimento de
trabalho na área educacional exige do educador os exercícios de ofícios, artes
e artimanhas que, ao lado da fundamentação cientifica necessária permitam-lhe a
adoção de práticas pedagógicas voltadas para o transformar e o transformar-se
como pessoa e profissional. Na administração escolar esses exercícios são
também necessários e essenciais. (ARAÚJO, 2007, p.35).
No Brasil a administração da
educação não se desvincula dos princípios administrativos empresariais, dada a
sua característica de sociedade capitalista, em que os interesses do capital
estão sempre presentes nas metas e nos objetivos das organizações que devem se
adaptar ao modelo que lhe impõe esse tipo de sociedade.
Sendo assim, o diretor de escola tem como funções básicas organizar e
administrar, pois, “na sociedade dominada pelo capital, as regras capitalistas
vigentes na estrutura econômica tendem a se propagar por toda a sociedade
perpassando as diversas instâncias do campo social”. Na medida em que tenta
assumir seu papel educativo, buscando espaço para exercer a práxis educacional,
sofre sanções que vão das advertências à substituição por alguém que não
incomode o sistema.
A gestão democrática tem se
tornado um dos motivos mais freqüentes, na área educacional, de debates,
reflexões e iniciativas públicas, a fim de dar seqüência a um princípio posto
constitucionalmente e reposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional. Atualmente, o princípio da gestão democrática tem sido mais referido
à eleição de diretores ou diretoras em escolas públicas.
Promover a democratização da gestão escolar significa estabelecer novas
relações entre a escola e o contexto social no qual está inserida. Repensar a
teoria e a prática da gestão educacional no sentido de eliminar os controles
formais e incentivar a autonomia das unidades da educação constitui-se em
instrumentos de construção de uma nova cidadania.
Conforme PARO (1998) tendo em conta que a
participação democrática não se dá espontaneamente sendo antes um processo
histórico em construção coletiva, coloca-se a necessidade de se preverem
mecanismos institucionais que não apenas viabilizem, mas também incentivem práticas
participativas dentro da escola pública.
A gestão democrática da educação está vinculada
aos mecanismos legais e institucionais e à coordenação de atitudes que propõem
a participação social: no planejamento e elaboração de políticas educacionais;
na tomada de decisões; na escolha do uso de recursos e prioridades de
aquisição; na execução das resoluções colegiadas; nos períodos de avaliação da
escola e da política educacional. Com a aplicação da política da
universalização do ensino deve-se estabelecer como prioridade educacional a
democratização do ingresso e a permanência do aluno na escola, assim como a
garantia da qualidade social da educação.
A democracia
escolar só se tornará efetiva a partir de um processo de gestão democrática
entendida como uma das formas de superação do caráter centralizador,
hierárquico e autoritário que a escola vem assumindo ao longo dos anos, cujo
objetivo maior é garantir a participação e a autonomia das escolas. (ANTUNES,
2002, p.131).
É importante acrescentar que
a gestão da escola não visa apenas à melhoria do gerenciamento da escola, visa
também à melhoria da qualidade de ensino. Dessa maneira a democracia na escola
pública só será real e efetiva se puder contar coma participação da comunidade,
no sentido de fazer parte, inserir-se, participando, discutindo, refletindo e
interferindo como sujeito nesse espaço.
Os gestores devem possuir
habilidades para diagnosticar e propor soluções assertivas às causas geradoras
de conflitos nas equipes de trabalho, ter habilidades e competências para a
escolha de ferramentas e técnicas que possibilitem a melhor administração do
tempo, promovendo ganhos de qualidade e melhorando a produtividade
profissional. Devem estar ciente que a qualidade da escola é global, devido à
interação dos indivíduos e grupos que influenciam o seu funcionamento. O
gestor, que pratica a gestão com liderança deve buscar combinar os vários
estilos como, por exemplo: estilo participativo que é uma liderança relacional
que se caracteriza por uma dinâmica de relações recíprocas; estilo
perceptivo/flexível que é uma liderança situacional que se caracteriza por
responder a situações específicas; estilo participativo/negociador que é uma
liderança consensual que se caracteriza por estar voltada a objetivos comuns,
negociados; e estilo inovador: que é uma liderança prospectiva que se
caracteriza por estar direcionada à oportunidade, isto é, à visão de futuro. O
gestor deve saber integrar objetivo, ação e resultado, assim agrega à sua
gestão colaboradores empreendedores, que procuram o bem comum de uma
coletividade.
A Secretaria Municipal de
Educação da cidade de Sinop – Mato Grosso é o órgão responsável por abrir as
inscrições para candidatos a diretor das escolas Municipais a cada dois anos,
isso devido à alteração na lei 725/2003, onde diz que o diretor eleito terá
mandato de dois anos, com direito a uma reeleição. Geralmente as inscrições
podem ser feitas em dias úteis e em horário comercial nas 21 unidades escolares
que o município possui.
Referências:
- PARO, Vitor Henrique. Administração Escolar- Introdução Crítica. 9.ed. São Paulo: cortez,2000, ISBN 852490061-X.
- PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Àtica, 1986.
- ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar. Novas maneiras de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002.
- MATOS, F.G. Empresa que Pensa: Educação Empresarial-Renovação Contínua a Distância.
- DRABACH, Neila Pedrotti; MOUSQUER, Maria Elizabete Londero. Dos primeiros escritos sobre administração escolar no Brasil aos escritos sobre gestão escolar: mudanças e continuidades. Currículos sem fronteiras. V. 9, n. 2, p. 258 – 285, jul./dez. 2009. Disponível em: < http://www.curriculosemfronteiras.org/vol9iss2articles/drabach-mousquer.pdf>
- ARAÚJO, Sérgio Onofre Seixas de. Gestão democrática? Os desafios de uma gestão participativa na educação pública em uma sociedade clientelista e oligárquica. Maceió: EDUFAL, 2007.
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